O topo de Portugal continental

19:29




Eu tinha me prometido que ia usar o blog para contar experiências pessoais em viagens e visitas e lugares e eventos pela Europa inteira - já que, afinal de contas, eu e a Inari estamos aqui. E, até agora, eu não fiz isso muito ativamente, não. Mas, mesmo que isso não se torne um hábito, eu tenho vontade de contar como vão as coisas por aqui, quais os nossos passeios, os percalços e tudo o mais, porque se puder ajudar alguém ou simplesmente inspirar alguém pra fazer algo do gênero, já tá valendo.


De qualquer maneira, a questão é que eu e a Inari fazemos aniversário de namoro todos os anos em 19 de dezembro, e em 2016 essa data não podia passar batida - já que, além de estarmos na Europa, completaríamos 5 anos de namoro, e isso é uma grande coisa pra mim. Por isso, apesar de ela não ter percebido de primeira, eu insisti que viajássemos no dia 18 de dezembro, ainda que ela dissesse que a gente pudesse ir em outra data. A menina não tinha notado que eu queria mesmo era passar um dia especial no nosso aniversário! s2 s2

Como chegamos em Portugal apenas em novembro, tendo nosso mestrado começado em outubro (mas, como vocês já sabem, demoramos um mês a mais por culpa do visto e todas essas coisas lindas), não tivemos tempo de planejar uma grande viagem para o final do ano para aproveitar a neve em algum país nórdico, visitar a Lapônia ou comemorar o Natal em grande estilo com a aurora boreal na Islândia. Nós estávamos tão loucos da vida que, quando chegamos aqui, nem conseguimos pensar em nada de mais. Mas nossos colegas perguntaram o que a gente ia fazer no Natal e nós não tínhamos resposta. E recebemos a dica de que, se quiséssemos passar o feriado com neve, poderíamos ir ao único lugar em Portugal onde neva: a Serra da Estrela.

No caminho até o topo de Portugal continental!

Depois de altas pesquisas e muito tempo tentando descobrir qual era a melhor época pra viajar, como ir, onde ficar, o hotel e tudo o mais, decidimos aproveitar a semana imediatamente anterior ao Natal para tirar o máximo de proveito do nosso tempo sem gastar demais com os valores do feriado.

A Ina ainda não conhecia neve, então o nosso principal objetivo era encontrar os floquinhos brancos de alguma maneira. Descobrimos que o melhor lugar para ficar de maneira a conhecer a Serra da Estrela sem ter um carro e dependendo de transporte público era a cidade de Covilhã, que fica justamente ao pé da serra e é como se fosse uma porta de entrada dela. Até lá poderíamos ir de comboio - trem, no caso - sem grandes mistérios. E foi o que fizemos.

Covilhã é uma cidade muito bonita e bem charmosa, principalmente com o frio que tava quando a gente chegou lá. Decidimos passear à noite por lá, mas descobrimos que o lugar ficava deserto à noite com o gelo que tava. Tinha nevado na sexta-feira na serra, e nós chegamos no domingo, o que pode ser uma justificativa para a aura de cidade fantasma que o lugar tinha. Gelados e um pouco acuados pela sinistrice da cidade vazia, voltamos para o hotel, chamado Santa Eufémia, que ficava um pouco mais longe do centro, mas era bastante bom e com um preço ótimo, que conseguimos em um site de desconto daqui. No final das contas, pagamos cerca de 27€ por noite (o que dá uns R$100,00, atualmente).

Covilhã é uma cidade bem charmosa, apesar de ter MUITAS subidas.

A ideia era subir a serra para ver a neve, então tivemos de alugar um carro - e vou admitir que foi bem mais caro do que eu imaginava! A gente se preparou pra pagar uns 35€, que vimos na internet, e quando chegamos lá foi basicamente o dobro. Só que, como descobrimos que o ônibus que sobe a serra só funciona no verão, não sobraram muitas alternativas, e acabamos pagando porque, afinal, a gente tava lá pra isso! E sinceramente, apesar de ter sido caro, valeu muito a pena.

Com a neve lá no fundo, e com o carrinho que alugamos, já na subida.

O caminho subindo a serra a partir de Covilhã é bem cênico e repleto de cotovelos, colocando a minha habilidade com o carro em teste, principalmente na volta, quando viemos descendo em um drift (ã-rrã!). O caminho é um pouco longo, mas tem muitos cenários bonitos e fotogênicos, como vocês provavelmente estão vendo nas fotos que eu coloquei por aqui aleatoriamente pelo texto depois de terminar de escrever. E as porções mais altas da Serra da Estrela em si foram onde a neve começou a aparecer, e a Ina tirou inúúúmeras fotos de tudo ao nosso redor. Chegamos ao topo de Portugal continental, tiramos algumas fotos e eu me abaixei, fiz uma bola de neve e joguei nela para começar uma guerra que durou pouco porque, afinal de contas, a ideia era comemorar o namoro, não terminar com ele! :P

Já no topo!

A vista do topo é espetacular! Uma das coisas mais bonitas foi vez as camadas em que o horizonte vai se dividindo, com a atmosfera deixando tudo meio enevoado e os muitos geradores de energia eólica girando à distância (e são muitos).


A viagem só até aí já teria valido a pena, mas nós tínhamos de aproveitar o carro pelo qual estávamos pagando (caro), então fomos até uma cidade do outro lado da serra: Seia. Nós não tínhamos muita certeza do que esperávamos ver por lá, mas estacionamos em uma praça e caminhamos por lá, visitando uma igreja extremamente silenciosa e solene, muito linda, uma capela escura em pedra e um café simplesmente apaixonante - a entrada nele foi mais pra escapar do frio do que qualquer coisa, mas provamos um doce de castanha que era assinatura de lá e era delicioso. Pesquisando, descobri que o nome do lugar é Pastelaria Zé Manel, e realmente o doce de castanha era bem diferente e inusitado!

Depois disso nós partimos na mais assustadora viagem de carro que eu já fiz na minha vida. Nosso Nissan Micra cortava a noite muito, muito escura com um lindo som de trator por causa do diesel e do motor esquisito, os faróis iluminando muito pouco à frente e revelando casas de pedra abandonadas NO MEIO DO NADA, as portas abertas, a gente ouvindo rádio local e ATERRORIZADOS com a ideia de precisar parar por lá. Mas entramos mais fundo na serra para ir até Manteigas, que fica encravada em um vale no meio da montanha, uma cidade escondida e muito pequena que estava completamente deserta. O mais legal é que tinha música natalina tocando por toda ela, e só tinha eu e a Ina por lá, caminhando, procurando um lugar pra jantar.


Felizmente nós encontramos um lugar lindo e muito charmoso chamado Dom Pastor, pelo qual nós nos apaixonamos. A gente até achou que estava fechado por não ter ninguém, mas fato é que ficamos lá uma hora e meia, tendo chegado às 19h30, e não apareceu mais nenhum cliente. A noite tava tão fria que o pessoal tava todo escondido, e o garçom foi muito atencioso e gentil. Eu comi uma anchova nevada e, a Ina, um tagliatelle de camarão, e as duas coisas estavam sensacionais e nem saiu tão caro assim - deu uns 20€, no total. Considerando que era a noite de aniversário de namoro, foi bem tranquilo!

Uma simpática casa de pedra em Belmonte.

Além do passeio pela serra, a partir de Covilhã também visitamos a terra de Pedro Álvares Cabral: Belmonte. Trata-se de uma cidade minúscula no topo de uma colina com um castelo bem tradicional, muitos museus e um em específico tratando dos descobrimentos. Foi tudo muito interessante, e valeu muito a pena. Nós fomos até lá com um ônibus intermunicipal, e pagamos uns 5€ a passagem. A visita foi bacana, e recomendamos!

O castelo de Belmonte!

Então nossa viagem de Natal de 2016 foi basicamente isso, e, embora tenha sido bastante simplória, foi especial o suficiente para nos lembrarmos pro resto da vida. Tem muitos detalhes que fazem a diferença em qualquer experiência como essa, e é nesse tipo de viagem que somos lembrados constantemente do prazer que é viajar e conhecer novos lugares! :)

Acreditem se quiser, a Ina não notou o "Amo-te" na foto, quando tirou. Mas ficou bem adequado! :)

---

Postado pelo Fabio

Leia também

0 comentários

Skoob do Fabio

Skoob da Ina

Obrigado pela visita! :D